À primeira vista


 À primeira vista 

 

Rubens Balestro

 

          Foi andando pelas ruas de Rio Preto que a conheci. Era bonita e estava acompanhada pelo irmão e irmã. Apresentei-me e conversei com eles. Ela foi educada, gentil e simpática. No dia seguinte, pela manhã, lá estava eu novamente, no mesmo lugar onde a encontrei. Voltei à tarde e ela me parecia cada vez mais simpática, mais bonita. Seu jeitinho amável, delicado, estava me cativando. Voltei também no outro dia. Não sei o que estava acontecendo comigo, mas já sonhava com a possibilidade de sair com ela. Falei sobre isso com uma amiga que me achou muito apressado.

          Depois de quatro dias não agüentei mais, convidei-a para almoçar. O dono do estabelecimento comercial onde a conheci tinha ficado responsável por ela e seus irmãos, visto que eram de uma localidade muito pequena e não conheciam a cidade. Eles sempre haviam morado numa fazenda. Tive de falar com ele e pedir seu consentimento para sairmos. Ele ficou um pouco temeroso, pois não me conhecia e só se acalmou quando chamei minha amiga que intercedeu por mim. 

          Nosso encontro foi maravilhoso, nem almoçamos. Ela queria ver tudo. O passeio durou mais de duas horas. Deixei-a em casa e combinei de voltar no outro dia. Assim foi, e no dia seguinte ela estava me esperando, muito feliz. Tamanha era sua felicidade que resolvi dar-lhe um presente, um vestido cor de rosa. Ficou linda nele. Acho que eu estava apaixonado.

          Meu trabalho em Rio Preto era o de ministrar cursos, então eu pensei em convidá-la para assistir uma de minhas aulas. Só que havia um problema, as aulas ocorriam à noite e ficaria muito tarde para levá-la em casa, sendo assim, ela teria de passar a noite comigo e eu não queria que os funcionários do hotel em que eu estava hospedado soubessem.

            Falei com o senhor responsável por ela e, depois de assegurar-lhe que nada de mal aconteceria à sua protegida, ele permitiu que ela passasse a noite comigo. Já, quanto a escondê-la dos funcionários do hotel, foi bem mais difícil, ela nunca tinha entrado num elevador e havia câmeras por todos os lados. Foi trabalhoso, mas valeu a pena, nos divertimos muito. O difícil foi explicar, no dia seguinte, a fronha rasgada no quarto.

           Dias foram passando, noites também. Outra fronha rasgada. Estava chegando à hora de eu voltar para casa. Tinha de fazer algo, sabia de minha responsabilidade dependendo da decisão tomada, mas acho que não saberia mais viver sem ela. Conversei com ela e pedi se gostaria de me acompanhar, de conhecer minha cidade, de viver comigo. Expliquei-lhe das diferenças de região, em especial do clima, bem mais frio. Ela aceitou ir comigo para onde eu fosse. Fiquei muito feliz e fui falar com o senhor responsável por ela. Ele, depois de muitas recomendações, permitiu que ela me acompanhasse.

            Liguei para minha família e amigos avisando que não voltaria sozinho. Todos ficaram curiosos e apreensivos. Providenciei os documentos e a passagem de avião. Chamaram-me de maluco. Não me importavam os comentários, só queria ficar perto dela. Foi assim desde o primeiro instante em que nos conhecemos.

           Vai fazer um ano que estamos vivendo juntos. Meu amor por ela tem crescido na medida em que observo sua dedicação amor e lealdade. Acredito que esse amor, nascido à primeira vista, fará com que eu e minha cadelinha Jane ainda tenhamos muitos momentos felizes pela frente.

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Sobre rubensbalestro

Um eterno aprendiz que passa seu tempo entre o aprender e o ensinar.
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7 respostas para À primeira vista

  1. Hemerson disse:

    Poxa ! Eu já estava ficando até exitado ! Tudo por uma cachorrinha no fim ! Mas valeu a pena ! Se isto for verdade vc tem mais um ponto positivo comigo ,SR Rubens .De seu aluno do Japão , Hemerson.

  2. Elisandra disse:

    Ao começar a ler este texto ainda pensei comigo: Será que meu Prof eh assim, capaz de rasgar fronhas e mais fronhas? Pois bem, continuei a ler, e dai tenho a prova do porquê suas camiasa apareceram rasgadas lá no curso né Prof? rsrsrsr Bjos Te adoro

  3. LUA disse:

    esquecí me arrancou a té suspiros, !!!!!!!!!!!!!1 bj.

  4. Suelen disse:

    Você não perde a capacidade de me surpreender!

    Achei muito linda a maneira que você se aproximou da tua cachorrinha,o modo ao qual você compartilhou com as pessoas, mostrando que a Jane não foi apenas uma aquisição e sim uma aproximação que aos poucos se transformou em carinho mutuo, percebendo assim a necessidade que um tinha do outro! Bjs

  5. Jeanne disse:

    Poxa vida! Que susto, profi! Achei que estava sendo instruída por um Don Juan…hehehehehe

    Mas é incrível a sua forma de escrever, alimentando nossa curiosidade até o desfecho final. Texto maravilhoso. Parabéns!

  6. Chaiani disse:

    Um dos posts que mais gostei! Fiquei extasiada com a capacidade de nos entrosar tanto nessa sua história que pensávamos que era uma coisa e no final foi totalmente outra hehe… Ah, professor, o senhor tem uma inteligência elevadíssima, que me surpreende cada vez mais e mais. Quisera eu ter essa capacidade tão fantástica de compreender e passar o conhecimento adiante. O senhor realmente é uma pessoa iluminada, que merece honroso reconhecimento pelo fantástico trabalho que realiza dia após dia. Fique com Deus!

    Abraço.

  7. Myréia Siqueira disse:

    kkkk, ótimo, só tu mesmo…. é a história de amor mais linda.
    Beijos

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